Eu estava sentado no topo de uma montanha. Era inverno e fazia frio. Eu podia sentir o frio penetrando minhas roupas, podia sentir o vento frio e gélido roubando o calor de minha espinha. Mas não me importava, sabia que aquilo era necessário. Sabia que meu destino era estar ali, e mesmo que sentisse o frio e soubesse dele, não tinha a menor intenção em deixar aquele abrigo seguro no topo da montanha. A montanha me ensinava a estar ali. Agraciava-me com as suas paisagens, me distraia durante horas com um detalhe irrelevante e intocável de sua composição. Fazia-me vivenciar a eternidade. Era o infinito em alguns poucos minutos, nos detalhes de um pequeno arbusto, ou no esforço de um besouro que carrega seu fardo montanha acima.
No topo da montanha não existia solidão, não existia angústia e não existia a falta de entendimento. Tudo era compreensão. Era preciso apenas que eu me concentrasse nos detalhes, que me concentrasse nos detalhes sem apego nenhum, notando tudo aquilo que me cercava e ao mesmo tempo deixando que tudo passasse. Que tudo morresse. Assim todas as coisas estavam lá. Elas eram graciosas e eu podia sentir toda a energia positiva que as coisas do topo da montanha irradiavam.
Eu já havia esquecido do frio, do vento e até da própria montanha. Havia esquecido meu corpo. Havia esquecido como viera, e o motivo que me levara até ali, mas naquele momento, nenhuma destas questões estava presente. Como já disse, tudo era preenchimento. Naquele momento, aceitava tudo, tudo era a absoluta e inegável verdade.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
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