Não me lembro em qual altura do caminho houve este rompimento, esta fissão.
Foi um ponto onde, a partir dali, as coisas tomaram outro sentido.
Antes, existia o “eu” e existiam as coisas.
Agora, existem as coisas e os seus significados.
Junto com o meu excesso de razão, se foram, quando cruzei a fronteira, todos os meus conceitos.
Aquelas mesmas coisas que, racionalmente, não possuem vida, possuem um significado próprio, luz própria.
O “eu” não está mais presente. O conjunto do universo dita as regras.
A beleza da serena-luz está lá, embora o equilíbrio esteja distante.
Certamente você não pode compreender.
Estes sentimentos são indizíveis, imaterializáveis.
Você o sente, mas não com a mesma intensidade que eu o sinto.
As coisas estão lá e sobrevivem por si. Isso é tudo.
Talvez seja pelo meu excesso, pelas horas de contemplação à loucura.
Talvez seja doença, algum mau que se apodera da minha consciência.
Talvez seja apenas lucidez, excesso de alma.
Talvez não. Por mais que você tente, não compreenderá, a não ser que cruze a fronteira.
A não ser que se submeta a experimentar.
O seu velho “self” nunca mais será tocado.
Os filtros da realidade são lançados ao lixo.
A loucura é aparente. Ela diz: olá.
O que eu posso lhe dizer sobre isso?
Bom, ela possui uma beleza atraente e lhe trás mais respostas do que a razão.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
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