sexta-feira, 30 de maio de 2008

No alto da montanha

Eu estava sentado no topo de uma montanha. Era inverno e fazia frio. Eu podia sentir o frio penetrando minhas roupas, podia sentir o vento frio e gélido roubando o calor de minha espinha. Mas não me importava, sabia que aquilo era necessário. Sabia que meu destino era estar ali, e mesmo que sentisse o frio e soubesse dele, não tinha a menor intenção em deixar aquele abrigo seguro no topo da montanha. A montanha me ensinava a estar ali. Agraciava-me com as suas paisagens, me distraia durante horas com um detalhe irrelevante e intocável de sua composição. Fazia-me vivenciar a eternidade. Era o infinito em alguns poucos minutos, nos detalhes de um pequeno arbusto, ou no esforço de um besouro que carrega seu fardo montanha acima.


No topo da montanha não existia solidão, não existia angústia e não existia a falta de entendimento. Tudo era compreensão. Era preciso apenas que eu me concentrasse nos detalhes, que me concentrasse nos detalhes sem apego nenhum, notando tudo aquilo que me cercava e ao mesmo tempo deixando que tudo passasse. Que tudo morresse. Assim todas as coisas estavam lá. Elas eram graciosas e eu podia sentir toda a energia positiva que as coisas do topo da montanha irradiavam.


Eu já havia esquecido do frio, do vento e até da própria montanha. Havia esquecido meu corpo. Havia esquecido como viera, e o motivo que me levara até ali, mas naquele momento, nenhuma destas questões estava presente. Como já disse, tudo era preenchimento. Naquele momento, aceitava tudo, tudo era a absoluta e inegável verdade.
Inconstante,
inconsciente,
desvairado,
louco de pedra,
doido de amor,
descontrolado,
sem-noção,
ativista,
liberal,
inconseqüente,
iconoclasta,
incauto,
inculto,
incomparável,
incendiário,
abandonado,
reincidente,
progressista,
pueril,
saliente,
solícito,
sozinho,
desamparado,
incerto,
eremita,
tolo,
requintado,
profano,
pro fundo

domingo, 25 de maio de 2008

Minhas viagens deslumbrantes me renderam um abismo gigantesco

Desgarrado e ansioso, me deparo só, cada vez mais sólido e antiquado, quieto e perturbado com minha mente.
Insatisfeito com o jeito em que as coisas se enquadram, quantas e quantas vezes ja me impediram de viver nossa loucura, que ate ja mudou de nome, lado e esperança.
Aprendemos tantas coisas juntos, mas agora fugimos, ou por medo, ou por receio, ou por lidos diferentes.
Algumas dimensoes estao paradas, apavoradas de tao desqualificados viraram alguns fundamentos.
As noites de virada, a bebedeira, o fumo, a doença sanguessuga de nossas ideias fantasiosas, parecem para mim, que foram jogadas de lado na primeira curva à esquerda encontrada; o peso parou sobre vossas costas; um caminho, uma maturidade, em que desencantou a nossa verdade, em que antes estava no vinho e na criança.Nossos segredos de tao loucos que eram, tornavam-se nossos fortes elogios. Ao vosso lado vi Deus e o desconheci, tornei-me sabio e tolo, inconsequente; louco: nao daqueles frágeis; insano: daqueles que dança ao luar, quando um de seus melhores amigos o acompanha com voz e violao suaves, em uma de suas preferidas melodias.
Coroavamos o tortuoso edificio do pensamento, cada qual como aluno e professor, grandes Poetas psicodelicos. Nao sei o que se apodera de mim, a luz atravessa minha retina, num desfecho insatisfatorio.
Saudades de quando tinhamos um par de asas e nao sabiamos, mas voavamos sim, por entre as inefáveis e os eternos delirios do céu. Sempre, estreladas noites, nao sei, mas nao precisava de mais nada. hoje, pelas coisas que me restam, por aqueles que me faltam frequentemente, talvez retorne satisfatoriamente, mas por onde tem andado.
Para mim, é o fim de nossa Era de explosão sentimental.



um pouco de depressão para acalmar a alma

segunda-feira, 19 de maio de 2008

sob uma imensidao só

Poderiamos ver o lago
Poderiamos dançar sobre o lago congelado
Mergulhar sob sua imensidao solitaria
Nao precisamos mais nos esconder da neve
que o vento purpura espreita
Poderiamos crescer e morrer com a vegetaçao que envolve o lago
Crescido, o corpo conservado
A agua azul, limpida, invade suas palpebras
Poderiamos ter momentos em especial
no jardim do alem congelado
E o sopro umideceu a estaçao verao
E invadiu nossos coraçoes tristes
que em frequencia o vento partiu...

ultimo apice

nas palavras, a destruiçao havera de ser unica
destruiçao exclusivamente unica:
um simbolico desgosto pelo qual a vida
o enviou ate a morte:
aqui jaz, em seu limbo,
deslumbrante perturbo,
que confundiu corrosivamente seu caminho
para a confusao mental
igual trechos nervosos de Trofonio
que tao palida, tao sem amor
o apice de mentiras o separou
do mundo de liberdades que achamos encontrar...

domingo, 18 de maio de 2008

olhos fixos e vazios e loucos

Eu sei, às vezes pego pesado demais. Meu rio de sentimentos disparados, desenfreadamente condecoram minha fraqueza, denotam a minha fragilidade. Nós sabemos. Você sabe. Ninguém gosta de fragilidades. Ao menos não de fragilidades como as minhas. Transparecidas, declaradamente frágeis.

Pego pesado na minha loucura e sou incompreendido. Pego pesado na minha razão irracional. No meu excesso de lucidez que transborda pelos poros. Lucidez de olhos fixos e vazios e loucos. Lucidez dos meus flertes e insensatez das minhas frases feitas.

Eu sou o pior dos mortais. Como, durmo, acordo, leio e falo pouco. Perco-me na linha de meu raciocínio. Sou um imortal com milhares de almas, sem medo, sem culpa e sem-vergonha. Com um pouco de não-sei-o-que misturado a todo o resto. Com muito de nada-disso-que-você-pensa e tudo mais. Tentando compreender o inexplicável vai-e-vem do fluído vital.

em outrora; Pecadora

Ela voou em outrora; Pecadora
Numa imensidao abissal
Ruiu em flamas, contorcendo-se ferozmente
Esteve em exilios sobrios de agua e sal

Oh!!! lua; venera tuas legioes e pestes
Que durante anos foram nos envolvendo
E encolhendo nossos cerebros inflamados
Revelando-nos anseios psicologicos

Estava eu, diante do inferno: a cerca deste tempo, e:
houve retrocessos
Em que eram reerguidas as multidoes
Costurando-as pes com pes e ardendo suas bocas
Para que na colheita nao fosse consumido nada
Agora o peso circunferico nao pairava sobre minhas maos
E os vermes passavam sobre os corajosos
Para que reivindicassem seus coraçoes
Tratando-os pelo aconchego do mau sobre o bem...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Dizer Adeus

Eu queria dizer adeus e queria que ela também dissesse. Queria que não houvesse nenhuma lágrima, nem sofrimento algum. Queria dizer adeus e esquecer todos os dias que passamos juntos, e ter a certeza de que um mês depois tudo estaria bem, e a certeza de que ela também esqueceria tudo. Eu queria partir, e ter a certeza de que ela também partiria. Queria beijar outras bocas, e ter a certeza de que, tão logo eu o fizesse, ela também o faria. Eu queria que ela fosse tudo o que eu quisera, e liberdade para ser tudo o que sou. Queria ter a certeza de que o tempo passaria tranquilamente, e a certeza de que nunca me questionaria a respeito do tempo que passamos juntos. Queria ter a certeza de que nunca ninguém me questionaria a respeito dela. Queria ter a certeza de que tudo o que fiz foi certo, e a certeza de que todos os meus amigos estariam dispostos a me acompanhar a tudo que ela me acompanharia. Queria ter a certeza de que todas as minhas incertezas estariam certas quando partisse. Queria ter a certeza de que, por mais que ela diga que é única, existem pessoas muito mais únicas que ela por aí. Queria ter a certeza de que ela nunca mais me ofenderia, e ter a certeza de que ela nunca mais lembraria das minhas fraquezas. Queria ter certeza de que não sou tão bom quanto ela, e ter a certeza de que ela merece alguém melhor, e a certeza de que ela encontraria essa pessoa tão logo nos separássemos. Queria ter a certeza de que eu certamente encontraria um esconderijo tão bom quanto o dela, e ter a certeza de que sou forte. Queria a certeza do tempo que ganhei perdendo tempo junto dela. Ter a leviana certeza de que o futuro está cheio de serenidade. Queria ter a certeza de que ela jamais cortaria os pulsos, e consolar-me com minha incerteza sobre isso.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Alucinado

alucinados a caminho da lua
alucinaçoes a caminho da mente
perdidos no clarao
o coraçao de volta a terra
enterrado por centenas de anos
tanta imaginaçao que nao levou a nada
seu algoz esta atras
lembrando todos seus pedidos
que va!
a lua se aproxima rindo da terra
a lua se aproxima para rir do ser
o tempo quebrou a barreira do pensamento
perdemos muito tempo
mas ganhamos imagens
e as vozes lunaticas continuam
e eu as toco para mudar o mundo
me fecho como se nunca tivesse visto a lua brilhar para mim
acreditamos num mundo sem nao
e é facil acreditar que existe a lua logo ali
ela se aproxima esclarecendo a escuridao
como se todos fossemos um
como realmente somos...

adeus

quando entrar em sua sala trancada
nao tera olhos para olhar fundo
chegou a hora da verdade
a hora da solidao
todos fecharam as portas
ela doce a dançar
vive com as cartas na mao
a vida a empurrou para uma imensidao
e as verdades sao pisadas
por um coraçao quebrado
sonhos sao para voce
ela dança sobre o fogo
voa como passaros nao podem voar
adeus...
cantando sua mente assada
irmaos e irmas ja estao longe de casa
e fecham os olhos para sua loucura
e voce hoje esta livre
livre acima de todos
sua dança magestral ira me corroer
venha percorrer conosco
vamos insistir na loucura suave
vamos nos desmanchar juntamente
achando nossa sabedoria inquieta
adeus...

Unissono melodico

Naquela noite, nao havia crianças
O vento silvava ferozmente acima de mim
As janelas, fracas e velhas, batiam e estralavam
Quando dei por mim, ja nevava pesado outra vez
Seria confortavel estar quente a baixo de pele de animais
e nao permanecer ali fora, ao frio parado
Observando, esperando um movimento
Naquela parte do ceu, nao havia estrelas
Vagava por aquele ceu escuro e nublado
Nevava...
quando desenrolei meu oleado
e encarei-o de frente
Os pequenos monges, que eram diferentes do que conhecia
ate ali
Passavam e faziam-me lembrar de anjos adormecendo
Me ergui e completei a imagem silenciosa que faziam
Apenas depois desse momento pude me recuperar
Em meio a tudo, uma arvore recem-nascida me chamava atençao
Uma lembrança subita de gloriosos dias de brincadeiras
Ao nosso redor
Junto de tanto frio, resolvi passar
Atravessei a passarela, ate a porta
Ali permaneci trancado
ate que desapareci no vasto palco dos diarios da vida...
Talvez volte um dia...
Solicito encarecido que porventura
ainda mais jovem
do que quando entrei...

Nebuloso

A noite mais fria
A madrugada mais fria
Com o amanhecer mais frio do ano
Nebuloso dia chuvoso
A chuva cai paralelamente igual
sem treguas para qualquer raio de sol
que pudesse se esconder atras de cada nuvem sobria
Nao me gosta mais?
Cansaço de implorar por calor
e fervecer calor humano
Dia quente doi
Nao risca a alma
Ano sombrio desvairado
sem argumentos, sem amor
Preso em sua flanela da infancia
que qual nuvem nos escondeu da chama...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Entrando Noutra

Eu continuo fumando, tragando e morrendo.
Sigo meditando e procurando e
duvidando e caindo
e entrando noutra,
noutro poço,
enchendo-me do vazio,
transbordando de respostas vagas,
cheio de preenchimento,
cheio de perguntas que me fazes e não me respondes.
Imenso vazio dos campos de maçã.
Aquele vazio que insiste em esvaziar os bons fluídos.
Que jorra e foge e sopra e engana os desenganados.
Como eu, aqui te confesso: Falhei, mas vi.
Pobre de ti que não permite falhas.


Não aprenderás a errar e

tão pouco aprenderás a sentir.

Hoje e Sempre

E eu que achei que nem na morte precisaria dele de novo
fraco, volto a implorar por um suspiro doce
Eu que nao gostava e nao iria crer em infernos e diabos
os encontro em minha cidade natal
Amadureceu o homem, mas morreu a criança
O dinheiro ainda vale mais que uma felicidade
O sangue e a lagrima
Eu jamais fugi, apenas isso nao encarei
Nao sou de receios
Perdendo a vida para morrer digno para os outros
Sofrer, batalhar, batalhar, talvez vencer
Para os fracos resta esperar pelos sonhos
Para os fortes de coraçao o amor
Espero estar com os dois
e nao amadurecer jamais
Que minha criança sobreviva
hoje e sempre
Amor...

sábado, 10 de maio de 2008

Uma temporada insana

"Estive longe durante um bom tempo
sem testemunhas,
meu coraçao bailou numa doce noite de amor
me perdi pelas coxilhas
e o vento que soprava distante,
nao esquenta mais
nos nao temos mais escolhas,
só fiquei fora durante alguns anos
isso nao me tornaria tao ruim,
lá, as montanhas serpentinosas nao sao tão geladas assim
em minha ultima viagem eu a toquei,
foi como um divino em minha direçao
durante um longo e impetuoso tempo
sorri louco, chorei louco
estou completo em paixoes que me tocam
e o vento pairava sobre as tumbas envelhecidas,
as folhas secas no chao de chaqualos enfurecidos
preciso me recolher
e envelhecer minha mente vazia..."

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Não sou mais razão.

Não me lembro em qual altura do caminho houve este rompimento, esta fissão.
Foi um ponto onde, a partir dali, as coisas tomaram outro sentido.
Antes, existia o “eu” e existiam as coisas.
Agora, existem as coisas e os seus significados.
Junto com o meu excesso de razão, se foram, quando cruzei a fronteira, todos os meus conceitos.
Aquelas mesmas coisas que, racionalmente, não possuem vida, possuem um significado próprio, luz própria.
O “eu” não está mais presente. O conjunto do universo dita as regras.
A beleza da serena-luz está lá, embora o equilíbrio esteja distante.
Certamente você não pode compreender.
Estes sentimentos são indizíveis, imaterializáveis.
Você o sente, mas não com a mesma intensidade que eu o sinto.
As coisas estão lá e sobrevivem por si. Isso é tudo.
Talvez seja pelo meu excesso, pelas horas de contemplação à loucura.
Talvez seja doença, algum mau que se apodera da minha consciência.
Talvez seja apenas lucidez, excesso de alma.
Talvez não. Por mais que você tente, não compreenderá, a não ser que cruze a fronteira.
A não ser que se submeta a experimentar.
O seu velho “self” nunca mais será tocado.
Os filtros da realidade são lançados ao lixo.
A loucura é aparente. Ela diz: olá.
O que eu posso lhe dizer sobre isso?
Bom, ela possui uma beleza atraente e lhe trás mais respostas do que a razão.