terça-feira, 10 de junho de 2008

Eu e meu jeito lento pela avenida

Estou sempre com esse jeito lento e com esse olhar chapado de quem sabe de todas as coisas. Sempre com esse andar compassado e com esse jeito característico de balançar os braços. Não consigo deixar de lado este sotaque porto-alegrense quando falo e nem este jeito estranho de pronunciar as palavras arrastando as vogais das últimas sílabas.
Essa é a minha defesa, essa indiferença, esse olhar blasé de quem parece entender tudo. Esse desinteresse maquilado pela falta do que falar. Esse é o meu álibi. Meu pedido de desculpas ao mundo. Meu pedido de perdão a você. Embora meu coração seja grande e compreensivo, meu olhar se parece com o olhar daqueles pobres monges que imploram compaixão.
Estou sempre com essa barba por fazer, sempre com esse aspecto relaxado, atirado. Esse é o meu charme. Essa falta de disciplina. Duvido que não seja esse o motivo dos olhares quando passo. Ainda nem me pareço com um marginal ou com um descamisado, apenas não vejo a necessidade de aparar a barba enquanto ela não marca a minha tez. Nem dou bola para os olhares que me despedaçam nas avenidas. Para esses olhos esbugalhados que me observam enquanto passo. Estou sempre assim, não consigo disfarçar o meu olhar distante que já faz parte de mim.

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