A levada toca calmamente. Os trombones preservam a base alegre, depois séria, então assustadora. A escala sobe, sobe, sobe. Achamos que não vamos conseguir. Que eles não irão conseguir. Que não chegaremos lá. Nossas cabeças vão do nada ao fim do mundo em questão de segundos. Do céu ao inferno em uma escala crescente, densa e tocada pelo coração.
A percussão acompanha tudo. Os tambores expressam a raiva do compositor. A coisa toda chega ao êxtase. Goza, porém volta. Os pratos soam abençoando o fim de tudo, glorificando o fim da frase. A toada está lá novamente. Eles conseguiram. O público então retoma o fôlego, torna a respirar.
Não, definitivamente não existe nada que se compare à formosura de uma orquestra. Bocas gritam bravo, bravíssimo cospem outras. E aquilo tudo que exclamam não os sai da boca pra fora, pelo contrário, são expressões cuspidas pela alma às múltiplas sensações despertas pela melodia.
Violinos lançam frases de um lado, celos sustentam a levada do outro. Muita classe. Os inúmeros naipes de sopro nos carregam a conhecer uma terra desconhecida, utópica, e correspondem as frases emitidas pelos violinos.
Depois, as vozes. As vozes engordam tudo isso em uma proporção gigantesca. A solista expõe a sua alma com a absoluta certeza de que tudo irá parar naquele instante. Os ouvintes ficam suspensos. Estão tocando o céu.
sábado, 5 de julho de 2008
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